Programa Internet Brasil leva conexão gratuita a quase 160 mil alunos de escolas públicas
Iniciativa do governo federal distribui chips com 20 GB mensais para estudantes de famílias inscritas no CadÚnico; meta é reduzir desigualdade digital no ensino básico Por Reginaldo Santos | 30 de maio de 2026 | Atualizado às 18h15
Imagem: Editada por IA
Quase 160 mil alunos da rede pública de ensino já têm internet gratuita em casa por meio do Programa Internet Brasil. A iniciativa, desenvolvida em parceria entre o Ministério das Comunicações (MCom) e o Ministério da Educação (MEC), distribui chips com pacote mensal de dados para estudantes de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
A proposta é simples, mas tem impacto direto na rotina de milhares de famílias brasileiras: garantir que estudantes em situação de vulnerabilidade social não fiquem sem acesso às aulas online, pesquisas escolares, plataformas educacionais e conteúdos digitais por falta de conexão à internet.
A operação do programa é realizada com apoio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).
Cada estudante contemplado recebe um chip com franquia mensal de 20 GB de internet móvel, que pode ser utilizada tanto para atividades pedagógicas quanto por outros integrantes da família. O único requisito é possuir um aparelho celular compatível com o chip.
Como funciona
O benefício é destinado a alunos da educação básica da rede pública que pertençam a famílias cadastradas no CadÚnico. Embora o foco seja o uso educacional, o acesso à internet acaba beneficiando toda a residência, ampliando a inclusão digital em comunidades onde a conectividade ainda é limitada.
O Programa Internet Brasil foi criado pela Lei nº 14.351, de 25 de maio de 2022, e teve suas primeiras regulamentações publicadas ainda naquele ano.
Desde então, a iniciativa vem sendo ampliada gradualmente em estados e municípios com maiores índices de vulnerabilidade social.
Em 2024, o programa recebeu um novo impulso com a seleção de mais 155 mil estudantes para receber os chips.
Até o início de 2025, o Ministério das Comunicações havia distribuído 159.315 chips para alunos matriculados em 1.073 instituições de ensino localizadas em 287 municípios de oito estados brasileiros.
Onde o programa chegou
A ampliação mais recente contemplou redes estaduais de ensino do Amapá, Bahia, Maranhão, Pará e Rio Grande do Norte. Somente nesses estados foram disponibilizados 140.851 chips.
A estratégia do governo federal tem priorizado regiões onde a exclusão digital é mais evidente, especialmente municípios distantes dos grandes centros urbanos, localidades rurais e áreas onde o acesso à internet de qualidade ainda representa um desafio para milhares de estudantes.
Conectividade nas escolas avança em 2026
Além da distribuição dos chips para estudantes, o governo federal acelerou em 2026 a expansão da conectividade dentro das escolas públicas brasileiras.
Dados atualizados do Ministério das Comunicações mostram que o Brasil ultrapassou a marca de 100 mil escolas públicas com internet gratuita e de qualidade para uso pedagógico.
Atualmente, 100.720 unidades de ensino já operam dentro dos parâmetros considerados adequados de conectividade, o equivalente a 72,9% das 138.086 escolas públicas existentes no país.
A meta do Governo Federal é conectar todas as escolas públicas de educação básica até o final de 2026.
O avanço faz parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC), coordenada pelos ministérios das Comunicações e da Educação, em parceria com estados, municípios e instituições responsáveis pela infraestrutura de conectividade escolar.
No início de 2026, o país já havia alcançado mais de 94 mil escolas conectadas.
Em poucos meses, esse número superou a marca de 100 mil unidades, demonstrando uma aceleração significativa dos investimentos em inclusão digital e infraestrutura educacional.
O que muda em 2026
Para este ano, o foco não está apenas em ampliar o número de beneficiários, mas também em garantir estabilidade para quem já foi contemplado. A manutenção dos chips ativos e do pacote mensal de 20 GB continua sendo uma das prioridades do programa.
Paralelamente, o governo intensificou os investimentos em conectividade escolar.
Somente entre 2025 e 2026, milhares de novas escolas passaram a contar com acesso adequado à internet, aproximando o país da meta de universalização da conectividade educacional até dezembro deste ano.
O Programa Internet Brasil também mantém um painel público de monitoramento, permitindo que qualquer cidadão acompanhe os números atualizados da iniciativa.
A plataforma conta com recursos de acessibilidade, incluindo versão de alto contraste para pessoas com deficiência visual.
O desafio da conectividade no Brasil
O Programa Internet Brasil surgiu a partir de um problema conhecido há décadas: a desigualdade no acesso à internet.
Em muitas regiões do país, estudantes da rede pública ainda enfrentam dificuldades para acessar plataformas digitais, realizar pesquisas escolares ou acompanhar atividades educacionais que dependem de conexão.
Ao fornecer internet gratuita para estudantes de baixa renda, a iniciativa busca reduzir essas diferenças e ampliar as oportunidades de aprendizagem.
Na prática, o impacto vai além da sala de aula.
Em muitas casas, o chip distribuído ao aluno também serve para busca de emprego, acesso a serviços públicos digitais, teleatendimento em saúde e comunicação familiar.
Segundo relatos reunidos pelo Ministério das Comunicações, o programa já beneficiou mais de 150 mil estudantes em todo o país e tem contribuído para transformar a rotina de alunos e professores, ampliando o acesso a conteúdos educacionais e ferramentas digitais.
O Programa Internet Brasil não utiliza recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) nem gera renúncia de receitas, segundo informações do governo federal.
A operação é coordenada pelo Departamento de Investimento e Inovação do Ministério das Comunicações, que mantém canais de atendimento ao público pelos telefones (61) 2027-6118 e (61) 2027-6691.